Reportagem vencedora do Prêmio ABP de Jornalismo

Pedófilo relata tentativas de tratar a doença e o medo do descontrole

- Como foi a reação quando o senhor contou para a sua esposa? - Nossa, ela ficou arrasada. Na hora, ela não falou nada. Ela não teve palavras. Eu consegui conversar com ela na semana seguinte, já na prisão. - O senhor tem alguma religião? Procurou ou já tinha? - Eu já tinha, eu já era evangélico. Ajuda não tinha pedido para ninguém. É muito difícil pedir ajuda. Se eu falasse “eu sou ladrão” era mais fácil. Pedófilo não, porque o pedófilo já é estigmatizado mesmo. É um criminoso.
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Transcidadania + Dias de Mulher

Maior campo de refugiados do mundo faz 20 anos em crise humanitária

Maior campo de refugiados do mundo faz 20 anos em crise humanitária

Há 20 anos, a rotina se repete: eles chegam sem nada além da roupa do corpo, exaustos das caminhadas de semanas, às vezes meses, famintos em busca de abrigo. Os portões de Dadaab, o maior campo de refugiados do mundo, no Quênia, nunca se fecham - e o complexo, projetado para abrigar 90 mil moradores, está lotado. Nos últimos meses, superlotado: a pior seca no Chifre da África em 60 anos está levando diariamente ao menos 800 pessoas a bater nas portas de Dadaab.

'Presos' no campo, refugiados esperam anos por reassentamento

O processo demora até cinco anos: são dezenas de formulários, entrevistas, testes e uma longa espera. Mas não há opção. Ser reassentado em outro país parece a única maneira segura de viver fora  de Dadaab, o maior campo de refugiados do mundo, no leste do Quênia. Quem está aqui veio fugindo de uma situação insustentável em sua terra natal - no caso, o conflito, a seca e a fome que assolam a Somália, de onde originam 98% dos habitantes do acampamento.

Morte de Nelson Mandela na África do Sul

'Sem Mandela, não seríamos amigos', dizem estudantes em despedida

Um grupo de amigos de diversas etnias se reencontrou nesta terça-feira (10) para ir junto à cerimônia em homenagem ao ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, no estádio de futebol Soccer City, em Johanesburgo. Os cinco estudantes universitários se conheceram na época do colégio. "Se não fosse por Mandela, não estaríamos aqui", disse Farai Mubaiwa, que nasceu em Durban. "Inclusive, o pai dele (o amigo Wynard Brummer) era general do apartheid e hoje nos cumprimenta até com beijo", disse Farai.

Público espera ao menos 3 horas para se despedir do líder Mandela

Uma tenda com panos brancos vai abrigar a partir desta quarta-feira (11) até sexta (13) o corpo do líder sul-africano Nelson Mandela, que fica em exposição na sede do governo, em Pretória, para que o público possa vê-lo pela última vez antes do enterro, neste domingo (15). Para ter acesso ao corpo no Union Buildings, complexo de prédios do Executivo sul-africano, o povo enfrentava uma fila de pelo menos três horas.

'Só via brancos pela TV', diz dono do 1º albergue no bairro de Soweto

Na época do regime racista do apartheid (1948-1994), na África do Sul, o bairro de Soweto concentrava a maior parte da população negra - e, portanto, marginalizada - da cidade de Johanesburgo. O líder da luta antisegregacionista Nelson Mandela vivia lá quando foi preso e para lá retornou quando foi solto, 27 anos depois. Sua libertação mudou o país - ele virou presidente e as políticas racistas acabaram - e também o Soweto, que recebeu investimento e infraestrutura.

Missa em igreja símbolo da luta antiapartheid homenageia Mandela

Uma grande missa na maior igreja do bairro de Soweto, em Johanesburgo, na África do Sul, homenageia na manhã deste domingo (8) o líder Nelson Mandela. A igreja Regina Mundi, construída em 1964, foi um símbolo da luta contra o regime racista do “apartheid” no país. Durante uma manifestação estudantil de 1976, jovens correram para a igreja e foram abrigados, mas cerca de 40 jovens morreram na igreja, que foi alvejada pela polícia. Até hoje há buracos de bala no edifício.

'Mandela foi chave do sucesso', diz único negro do título de rúgbi de 1995

Imortalizada no filme 'Invictus', com Morgan Freeman no papel do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, a vitória da África do Sul sobre a Nova Zelândia na final da Copa do Mundo  de Rúgbi de 1995 significou muito mais do que um título para o país. Mandela tinha acabado de ser eleito presidente pelo partido que ajudou a fundar – o Congresso Nacional Africano – e tentava livrar a nação da herança que os 45 anos de políticas racistas do regime do apartheid haviam deixado.

Resgate dos 33 mineiros no Chile

Terremoto no Chile

Povoado de Nada é Pior escapa da destruição do terremoto no Chile

Quem sai de Santiago de carro rumo a qualquer cidade do sul do Chile precisa ir pela Rota 5 e ficar atento às sinalizações. Depois de cerca de 160 km, uma placa chama a atenção. Diz: “Peor es Nada” e aponta para a direita. Quem acreditar que existe mesmo um lugar chamado “Nada é pior” e seguir a seta, vai encontrar algumas casas em uma rua larga sem asfalto e que quase não sofreram os abalos do terremoto que devastou parte do país na madrugada do sábado passado.

Destruído pelo terremoto, cemitério de cidade chilena tenta proteger seus mortos

“Lamentavelmente, para os mortos não há subsídio. Todo o dinheiro para a reconstrução vai para os vivos”. O desabafo é de Walter Alfonso Gonzáles, secretário paroquial da única igreja da pequena cidade chilena de Placilla, de 8,5 mil habitantes e a cerca de 150 km da capital, Santiago. Ele se referia à destruição causada pelo forte terremoto que atingiu o país no dia 27, e que derrubou 80% das construções do também único cemitério da região.

Com igreja destruída pelo tremor, padre faz missa em pátio de cidade do Chile

A Igreja da cidade de Placilla, de 8,5 mil habitantes e a cerca de 150 km da capital, Santiago, também foi destruída pelo terremoto que devastou regiões do país na madrugada do sábado. O padre Ginno Ugarte disse nesta quarta-feira (3) à reportagem do G1 que as missas estão sendo feitas no pátio, num lugar improvisado. “Não temos fundos para reconstruir o templo. Na VI região [divisão distrital chilena], 80% das igrejas foram abaladas.”

Fenômeno mundial do jornalismo televisivo: Al-Jazeera

G1 Conta a História

Em 2008, criei uma sessão de reportagens no G1 que tratavam um assunto da atualidade sob o ponto de vista histórico. 
O G1 Conta a História durou quase dois anos e teve participação de vários repórteres do portal, de diferentes editorias.

G1 conta a História - Camisinhas antigas eram feitas de crina de mula, papel e até casco de tartaruga

Quem reclama de ter que usar camisinha para se proteger de doenças sexualmente transmissíveis e de uma gravidez indesejada deveria agradecer por elas serem como são hoje. O sexo poderia ser muito pior se, em vez de ter que encapar o pênis num plástico fino, tivéssemos que usar pêlos de crina de mula, uma capa de papel de seda untado em óleo ou mesmo uma carapaça feita de casco de tartaruga. Foi assim que, ao longo da história, o homem tentou encontrar um meio mais seguro de manter rela

G1 conta a História - Animais eram julgados e até executados na Idade Média

Em 1386, um julgamento na cidade francesa de Falaise condenou o réu à pena máxima, enforcamento em praça pública, por cometer infanticídio – assassinato de criança. No dia da execução, o povo se aglomerou para ver o espetáculo. Pela importância da solenidade, o carrasco recebeu um par de luvas brancas. No centro do show estava a ré: uma porca. Sim, isso mesmo. A porca havia sido julgada e condenada à forca.

G1 conta a História - Ideia do horário de verão surgiu antes mesmo da luz elétrica

Em 1784, quando ainda não existia luz elétrica, o jornalista e inventor Benjamin Franklin viu que gastava muitas velas quando trabalhava de noite. Acordar mais cedo passou a ser a sua solução de economia, e ele chegou a sugerir que as praças tivessem "barulhos de canhões para fazer os preguiçosos levantarem mais cedo todos os dias". Para alívio dos vizinhos, a ideia de Franklin não foi implementada, mas ela foi o embrião do que hoje chamamos de horário de verão.

G1 conta a História - Movimento hippie consolidou rebeldia pacífica da geração de 1960

Há exatos 40 anos, numa certa fazenda de Bethel, perto de Nova York, milhares de jovens se reuniram para cantar, dançar e manifestar o que mais queriam do mundo naquele momento: paz. O festival de Woodstock foi a celebração de um movimento que se tornou símbolo da geração de 1960 e 1970: os hippies pautaram a moda, a literatura e a música. E causaram muitos problemas para as autoridades.

G1 conta a História - Sexta-feira 13 reúne mitos e superstições

Na famosa franquia cinematográfica de horror dos anos 1980, a sexta-feira 13 é o pior dia. É quando acontecem as mortes, as vinganças de Jason Voorhees -que morreu afogado num lago quando menino- ou de sua mãe. Mas não só os frequentadores da colônia de Crystal Lake têm medo do dia. Na vida real, há quem não saia de casa, quem deixe de trabalhar ou mesmo quem desenvolva uma fobia ao número. Em 2009, aliás, três sextas-feiras caem no dia 13.

G1 conta a História - Descoberto por astecas, chiclete foi 'mau hábito' por séculos

Um dos doces preferidos das crianças de hoje era também uma das diversões mais comuns das crianças astecas dos séculos XIV a XVI. Mascar chicletes é um hábito antigo que, por muitos anos, envolveu um código rígido de conduta. A arqueóloga Jennifer Mathew, em seu recém-lançado livro "Chicle: The Chewing Gum of the Americas" ("Chiclete, a goma de mascar das Américas", inédito em português), mostra curiosidades dessa história e traça todo o percurso da substância que não acaba na boca.

G1 conta a História - Cerveja do homem primitivo tinha grãos, palha e era servida com canudo

Num jarro de cerâmica, homens bebem um líquido bege com grãos e palha flutuando. Um canudo feito de junco passa de um para o outro, até eles se sentirem embriagados. O ritual era comum tanto para o homem de 12 mil anos atrás como para nós. No centro da mesa, a cerveja. A bebida que vemos hoje sendo servida gelada, com espuma e com gosto amargo, mudou muito desde que foi "descoberta", há aproximadamente 10 mil anos.

Entrevistas

Entrevista inédita com Waldick Soriano

No interior da Bahia, Waldick Soriano foi de tudo: peão, garimpeiro, chofer de caminhão. Em São Paulo, virou um dos principais cantores populares da década de 1970 e 1980, com, segundo ele, 84 discos gravados e sucessos como "Quem és tu?" e "Eu não sou cachorro, não". Casou com uma prostituta, teve músicas censuradas pela ditadura e namorou socialites. Aos 73 anos, quando concedeu essa entrevista, o cantor já tratava do câncer de próstata, dividia o tempo entre Fortaleza e Teresina e vivia dos direitos autorais e das raras apresentações que fazia, mas que, segundo ele, “ainda lotavam as platéias”.

Outras reportagens

Série envia blogueiros de moda para conhecer fábrica têxtil no Camboja

"Os jovens da Noruega gastam uma quantidade enorme de dinheiro em roupas, mas eles não fazem ideia onde elas realmente são produzidas", disse o diretor noruegues Joakim Kleven. Desconhecer a origem do que se veste não é exclusividade dos jovens noruegueses, mas foi de Oslo que partiram os três blogueiros de moda que participaram de uma série-reality dirigida por Kleven. O destino? Uma fábrica de roupas no Camboja. "Sweatshop - Dead Cheap Fashion" (lançada no meio de 2014 e disponível online com

Tenho orgulho de ter escondido e salvo tutsis, diz radialista ruandês

O ruandês Rubens Mukunzi tinha 15 anos quando ouviu na rádio um discurso inflamado do presidente interino de seu país falando em uma luta contra inimigos. Assim como muitos, ele demorou um pouco para perceber o que acontecia no seu país naquele abril de 1994: uma limpeza étnica, uma matança deliberada ordenada pelo Estado, um genocídio. Rubens era estudante na época e havia ido passar uns dias com a mãe e as irmãs. Ele conta que, nos 100 dias em que 800 mil pessoas morreram, ele e a família se

Sob a sombra da repressão, Ruanda se reconstrói 20 anos após genocídio

Era 1994, o Brasil chorava a morte de Ayrton Senna, a África do Sul elegia seu primeiro presidente negro no pós-apartheid, o Reino Unido e a França inauguravam o Eurotúnel e a Otan fazia o primeiro ataque contra aviões sérvios durante a guerra da Bósnia. No mesmo ano, em 100 dias, de abril a junho, 800 mil pessoas morriam assassinadas em Ruanda. O genocídio, termo adotado após muito debate nos comitês da ONU, foi um dos episódios mais sangrentos da segunda metade do século XX, e afetou quase um

Entenda por que o mundo não impediu o genocídio de Ruanda

As mortes de ruandeses da etnia tutsi pela maioria hutu começaram antes de 1994, quando ocorreu o genocídio que deixou 800 mil mortos em 100 dias no país. Desde 1990, agências humanitárias e a ONU vinham documentando matanças isoladas e a deterioração da situação no país. Quando o genocídio efetivamente começou, as lideranças políticas foram também avisadas. Então por que, dias depois da retirada de estrangeiros, a ONU não aprovou uma intervenção militar? Por que, ao invés disso, diminuiu o núme

Fotógrafa italiana registra cotidiano de guerrilheiras na selva africana

Elas desconstroem a imagem da mulher como vítima da guerra: pegam em armas, são matadoras profissionais e, no meio da selva africana, fazem os mesmos trabalhos que os rebeldes homens. Registradas pela fotógrafa italiana Francesca Tosarelli, as mulheres que lutam nos grupos guerrilheiros da República Democrática do Congo seguram fuzis com as unhas das mãos pintadas de vermelho e comandam grupos inteiros de soldados clandestinos.

'Estou vivo por um milagre', diz sobrevivente do Carandiru

Jacy Lima de Oliveira diz lembrar todos os detalhes daquele 2 de outubro de 1992. As imagens, o cheiro, e, principalmente, os gritos. "Foi um inferno na Terra, estou vivo por um milagre", conta o ex-presidiário da antiga Casa de Detenção e sobrevivente do massacre que deixou 111 mortos, quando há 20 anos a polícia de São Paulo invadiu o pavilhão 9 da penitenciária após um início de rebelião. "Eu sobrevivi, eu vi a história, eu pisei em sangue que dava quase na canela, e isso não é exagero, não!

Vídeo de ONG para combater guerrilheiro de Uganda irrita africanos

Os primeiros minutos dovídeo 'Kony 2012', visto por 76 milhões de pessoas no YouTube desde que foi postado no começo de março, mostram o planeta Terra, falam de novas tecnologias e de como é mais rápido se comunicar e interagir hoje do que em décadas atrás. Aos poucos, o espectador entra em um mundo de fragmentos íntimos da vida de um pai e filho americanos, brancos e loiros, que querem um "mundo melhor". Com cortes e voltas à história familiar, somos transportados para Uganda, na África, onde

Com carnaval à brasileira, estilista indonésio muda a vida de jovens

Jember é uma cidade pequena a leste da ilha de Java, no arquipélago da Indonésia - o país muçulmano mais populoso do mundo. A economia é baseada na plantação de tabaco e nos últimos anos tem enfrentado dificuldades com a propaganda contra o cigarro. O desemprego entre jovens e adultos só aumenta. Cansado de ver desmotivação e falta de oportunidades, o morador Dynand Fariz teve uma ideia. Em 1998, após voltar de Paris, onde foi estudar moda com uma bolsa de estudos, ele resolveu criar um ateliê.

Tênis doados por garota incentivam Etiópia como potência do atletismo

Quando fez 9 anos, a americana Sara Kebede passou a se incomodar muito quando via as amigas do colégio jogando tênis seminovos no lixo apenas porque queriam modelos mais novos. Ela tinha acabado de voltar de uma viagem para a Etiópia, na África, onde viu crianças treinando corrida com sapatos surrados, muito grandes ou até descalças. Aos 14 anos, Sara decidiu arrecadar os calçados que as colegas desprezavam e enviar para as meninas etíopes.

Professor leva ioga à prisão para combater violência e vício nos EUA

Ele fica na mesma sala que homens condenados por homicídio, estupro, tráfico de drogas e outros tipos de crime, e consegue manter silêncio absoluto por, pelo menos, uma hora e meia. Há mais de 10 anos, o americano James Fox ensina técnicas de ioga e meditação para presos em cadeias dos EUA. Nesse tempo, ele conseguiu formar alguns professores de ioga e ajudou milhares a "mudar seu estado mental violento e compulsivo". Com até 20 alunos por turma, as aulas agora têm lista de espera.

Americano cruza o mundo e leva livros a US$ 1 para crianças no Laos

Em uma viagem ao outro lado do mundo, o americano Sasha Alyson reparou em um detalhe que passaria desapercebido à maioria dos turistas convencionais: no Laos, quase não existem livros infantis. Principalmente na língua oficial, o lao. Encantado com o povo e com o lugar, Sasha decidiu voltar ao país – e levou com ele sua experiência na área editorial. Três anos depois, Sasha montou a Big Brother Mouse, uma editora que publica obras para os pequenos laocianos.